O menino do barril
O menino de 11 anos encontrado amarrado, sem água e sem comida, nu e no meio de fezes, em um barril, na periferia de Campinas, é um retrato cruel da violência doméstica contra crianças. Infelizmente não é o primeiro e nem o único.
A tortura contra o garoto não era de agora. O Conselho Tutelar 'acompanhava' o caso há pelo menos um ano, resta saber de que forma, se com lupa ou binóculo.
Com a chegada da PM, a pequena vítima foi resgatada e está internada em um hospital, com subnutrição grave e sabe-se lá quais traumas irá carregar por toda a vida, além de sequelas físicas.
Olhar os bracinhos magros, as perninhas inchadas por não poder sequer sentar, o corpo sofrido, que 'cozinhou' por dias embaixo de telhas de amianto, enquanto pai, madrasta e meia-irmã viviam como se ele fosse invisível é ver desfilar diante dos nossos olhos um filme de terror na vida real.
A mulher tinha uma ONG de proteção a cães que, segundo policiais, estavam bem tratados. Os animais merecem ser bem cuidados, mas um ser humano ainda mais.
O pai disse que 'estava educando' o filho, que seria muito agitado. O que esse homem fez é monstruoso, cruel e desumano.
Que a Justiça puna de forma exemplar quem torturou esse menino e responsabilize quem deveria proteger e falhou. Mais um pouco e o corpinho torturado estaria sem vida. É inegável que a violência covarde se tornou uma rotina diária diante da omissão dos mecanismos estatais.
É assustador pensar que muitos não tiveram a 'sorte' de serem encontrados antes de serem brutalmente assassinados. E não são poucas as mortes que não serão investigadas e os corpos mutilados, que nunca foram encontrados, permanecerão insepultos.


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